Começou a mudar

Graças a Deus as coisas começaram a mudar. Ok, não é uma mudança tamanho família do jeito que eu queria, mas significa muito mesmo assim. E eu continuo preocupada.

Ele saiu da sedação, demorou alguns dias para acordar e ficou muito, muito mal. Ficou um tempão na UTI em estado grave e agora bem lentamente começou a melhorar. Prá equipe médica isso pode não ser grande coisa, mas prá mim é super importante. Os médicos falam tantas coisas que me confundem sabe? O fato é que depois de todos esses meses aprendi a ter esperança e a arrancar forças sei lá de onde. Enquanto ele não sair do hospital, não sossego.

Deus é bom.

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Reticências…

E foi nisso que a minha vida se transformou. Num enorme ponto de reticências. Minha professora de Língua Portuguesa, (Dona Carlota), sempre dizia que usamos as reticências para indicar que a frase ainda não chegou ao fim, que ainda há algo para se dizer. Mais ou menos isso. E é assim que eu me sinto, como se alguma coisa ainda fosse acontecer, só que nada acontece. E essa angústia nunca tem fim, fica me corroendo por dentro.

Primeiro os médicos disseram que fariam o possível, que ele corria o risco de perder os movimentos das pernas mas que ainda era muito cedo para fazer qualquer previsão. Mas aí o estado dele passou de grave para crítico e os médicos disseram prá gente se preparar para o pior. Puta que pariu! Odeio médicos! Fala logo que não sabe como resolver a parada caramba! Que raiva! Todo mundo ficou super mal, foi o maior desespero, até me despedir eu fui, mas aí o Edu (lentamente) começou a responder o último recurso empregado pelos médicos. Só que depois disso, sei lá o que aconteceu, ele não respondeu mais ao tratamento, é como se na escala de 0 à 10, ele tivesse saltado do 1 para o 2 e parado nisso. Ele estacionou, não melhora e nem piora, a situação ainda é tensa, complicada e preocupante. Tudo de ruim já aconteceu, os “doutores” não conseguiam controlar a hemorragia, ele precisou de transfusão de sangue, ficou entubado, pegou infecção… Só de parada cardíaca teve duas!  E agora não responde mais ao tratamento. Estou muito preocupada e ao mesmo tempo tento manter a esperança, afinal, disseram que ele não duraria muito e ele ainda está vivo. A Olga é tão firme e forte, ela sempre me fala: “Não fiquei 12 horas em trabalho de parto prá ganhar esse menino, prá agora ele partir assim. De jeito nenhum, meu filho é forte!”

Não sei mais o que pensar… É tanta coisa acontecendo. Hoje a médica me disse que o Edu está brigando com a morte. Nossa, essa palavra me dá arrepios, até evito  pronunciar, mas infelizmente o risco existe e é muito grande. Não quero ficar sem o meu gato, mas se for o melhor prá ele, terei que me conformar e isso é muito delicado e difícil. Enquanto ele não sair da UTI vai ficar complicado manter a esperança viva, acreditar, ficar mais em paz e etc. E o pior é não poder ver com os meus próprios olhos como ele está. As visitas estão proibidas e eu em pânico. Maaas… ainda bem que a Cami além de cara de pau é uma fora da lei. Ela conseguiu convencer uma enfermeira a tirar uma foto dele, acredita nisso? A foto ficou meio desfocada, ela tirou de longe porque obviamente, celulares são ninhos de bactérias e a enfermeira tirou a foto pelo lado de fora do vidro, mas dava para perceber que ele estava bem inchado e muito machucado. Rasparam o cabelo dele, isso já tem um tempinho, já deve ter crescido um pouco, mas o fato é que essa foto é a única coisa que temos prá nos consolar (se é que essa palavra pode ser usada nesse contexto).

Não quero mais alimentar sentimentos ruins e negativos, isso me faz mal, mas ás vezes é difícil controlar. Ainda bem que o Ice preenche o meu tempo quando não estou no hospital. Me arrependo de ter dito que não queria ele, tadinho. Quando eu tô chorando ele gruda em mim, parece que absorve minha tristeza. Sem falar da Veri que, pelo amor de Deus, faz meus dias serem um pouco menos doloridos.

Conto os minutos para o fim desse pesadelo.

Stop the clocks for you and me.

Carta para ele

É lógico que eu não gostaria que nada disso estivesse acontecendo com você, ou melhor, com a gente. Num piscar de olhos nossa vida virou de cabeça prá baixo e a única coisa que eu quero de verdade é que esse pesadelo acabe.

Não durmo direito desde aquele dia, não consigo me concentrar em nada e tudo me dá muita raiva e revolta. Tenho vontade de explodir o mundo inteiro só prá não ver você desse jeito. Quando penso que corro o risco de ficar sem você, sem ouvir suas risadas pela casa, sem dormir com você do meu lado… Me dá tanta angústia… Sinto meu coração sendo espremido e o pior é que nem consigo sentir dor. É tão estranho, me sinto anestesiada, não consigo externar qualquer sentimento, seja bom ou ruim. Quando sinto alguma coisa é só revolta, raiva e um desejo incontrolável de vingança. Penso nisso o dia todo e o tempo inteiro. Essa é minha nova realidade: uns momentos de revolta e outros de intenso vazio que se alternam com esses pensamentos de vingança. Nem consigo mais chorar, virei uma pedra. E sim, eu quero, eu exijo vingança. Sei que você não apoiaria isso, mas sinto muito. Não vou fingir que tudo está bem porque não está e não vai ficar. Eu estou sangrando desde aquele dia e vou sangrar ainda por um longo tempo. Tempo que se arrasta lentamente. Cada dia é uma tortura pior e se agrava cada vez mais. Nada mais me importa, mas depois de ouvir o que eu ouvi hoje de manhã, não sei, eu preciso deixar você ir. Não é o que eu quero mas é um processo que precisa se concretizar. Não que você precise da minha autorização ou que eu tenha algum poder prá impedir. O que eu quero dizer é que não posso reter você só porque eu quero, todos nós temos que cumprir nosso destino e se esse é o seu, eu não tenho o direito de impedir. O amor não é egoísta. Sei que o tempo vai continuar passando, eu vou conhecer outras pessoas e possivelmente vou viver outras histórias, mas nunca vou deixar de amar você. Só amamos uma vez na vida e eu acredito cegamente nisso. Por isso vou deixar você ir, prá que você cumpra seu destino em paz e para que de alguma forma eu também possa encontrar a paz. Vai em paz meu amor, amor da minha vida. E saiba que eu te amo.

#PatiuSalvador

A coisa é bem simples. Encostei o sr. Eduardo na parede e fui bem clara: SEM CARNAVAL, SEM CONVERSA!

Quase saiu divórcio, mas já passei uns 3 carnavais em São Paulo. Foi tudo muito bom, mas preciso da energia da Bahia, lamento!

Vamos com mais 13 amigos, olha que legal! Temos nossa própria micareta! kkkkkk Agora falta o trio elétrico!

Sem mais…

Fuliona persuasiva e apaixonada

Janeiro

Esse foi o melhor mês de janeiro da minha vida todaaaaaa! E olha que eu já passei por vários hein!? hehehe

O Edu estava de férias e a gente viveu cada dia intensamente. O final de ano – apesar de tudo – foi ótimo. Desde o Reveillon na Paulista contra a minha vontade, até o final de semana em Brotas. A gente quase não parou! E os amigos do Edu lá de Porto Alegre amaram São Paulo.

Eles vieram para o Reveillon e se aboletaram aqui em casa porque a casa do Edu já estava lotada! Pensa numa farra sem pre-cedentes históricos registrados! Adoro casa cheia, mas confesso que eu estava exausta de tanto ir e vir, hahaha. No fim das contas, a necessidade obrigou o Edu a voltar prá casa, prá nossa casa, porque néam, não teria cabimento eu receber sozinha os amigos dele que eu só conhecia de ouvir falar. Obaaaaa! Eram um casal de lésbicas (pessoas de altíssimo nível! Amei!), duas meninas e dois caras (esses não eram casais não). A gente foi se apertando aqui e ali e deu tudo certo. Concluímos que precisamos de uma casa maior, já estamos procurando.

O Edu está decidido a sair da agência. Já faz um bom tempo que ele vem amadurecendo a ideia, e eu estou dando todo meu apoio. Se ele quiser continuar eu vou apoiar do mesmo jeito. Ele diz que quer montar o próprio escritório, aumentar o networking, fazer umas alianças e criar a agência dele. Mais um motivo prá gente se mudar para uma casa maior, ele precisa de um home office prá dar os primeiros passos.

Estamos felizes e tudo está correndo bem. Tem hora que parece que estou sonhando, é tão estranho sabe?

Estamos querendo marcar a data do nosso casamento, mas decidimos fazer isso depois que tivermos nossa casinha e além do mais, queremos esperar o casamento dos meus pais para que uma coisa não atropele a outra, quero que mamis absoluta tenha um dia de rainha inesquecível. Ela merece!

Ainda estou em ritmo de férias, acho que ainda não descansei o suficiente, hahaha, dá uma preguiça de tudo… mas… estou tentando resistir bravamente.

E o Edu ainda não cumpriu a promessa de me fazer uma surpresa, danado… Deixa ele…